sexta-feira, 27 de maio de 2011

RESENHA - PENSANDO TECNOLOGIA E SOCIEDADE - LUZIELE MARIA TAPAJÓS

PENSANDO TECNOLOGIA E SOCIADADE

O texto tem a finalidade de estudar conhecimentos sobre a análise contemporânea da tecnologia neste contexto caracterizado pelo processo célere de globalização econômica e avanços tecnológicos.
Estudos buscam analisar algumas características e concomitantemente reaver elementos capazes de desvendar e oferecer alternativas visando uma abrangência mais aproximada das tensões próprias desse momento e conseqüências da tecnologia em todos os aspectos da vida social.
Para a autora, estudos contemporâneos mostram que a tecnologia é simultaneamente produto e prática social, sua abrangência não é muito amiudada como um organismo que abrange aspectos sociais, políticos e culturais que afetam inevitavelmente nosso mundo.
A tecnologia é um fato centrado em si mesmo, que existe independentemente de nossos desejos, interesses, conhecimento e análise, estudos sociológicos tentam conformar a tecnologia como um conjunto de certezas, condutas, acordos e conflitos, estratégias financeiras e comerciais, definições legais entre outros componentes, tentam entender tecnologia como uma produção cultural. Outros se opõem à crença de que tecnologia é indispensável e sempre benéfica à humanidade.
A história da tecnologia pode ser explorada como uma narrativa de sistemas que ilustraria a construção social e a sociedade como é apreendida atualmente.
A nova sociedade da informação funda um novo conjunto onde o agregamento de poderes e  saberes originais acendem a possibilidade de disseminação da superioridade de sempre, submetidas à sofisticação das técnicas e de seu domínio sobre estas.
Deparamo-nos com um conjunto de conceitos que surgem para elucidar, relevar ou contestar as alterações compreendidas na vida social, econômica e política com o advento das possibilidades tecnológicas. A rede internet é um dos maiores promotores desse debate, com suas possibilidades através da infinidade de usuários.
Proporcionamos algumas teses de alguns expoentes da área, aquelas que sugestionam abranger os conteúdos nos debates mais correntes e que apresentam propostas potenciais para a configuração deste novo mundo. Dentre elas se destaca a propaganda como afirmação de que as pessoas aspiram, supostamente, a virtualizar-se cada vez mais com o passar do tempo. A vida digital exigirá cada vez menos a presença material substituída pela transmissão digitas.
O ciberespaço se apresenta como um novo ambiente de sociabilidade pré pressupõe novas relações sociais e a possibilidade efetiva de reconstrução das identidades dos indivíduos a partir de sua relação com o computador.
Na crise da desinformação valem mais os meios do que os fins, a informação em demasia gera desinformação.
      Defende-se a introdução de novos paradigmas pós-modernos que julgam guardar em si a chave heurística capaz de dar elementos de explicação e sustentação do “novo”; indica-se a extinção do emprego, a economia sem empregos, mas assisti-se pelo reconhecimento do fim do movimento sindical,porém, observa-se que o novo paradigma tecnológico abriga novos trabalhadores, vinculados aos novos pressupostos e possibilidades tecnológicas, envolvidos na produção de serviços e saberes, o teletrabalho, a teleconferência, entre e outros inventos que, de alguma forma, limitam os empregos ou são multiplicadores de sua precariedade.
     Neste mundo que se proclama outro, nesta configuração societária que se faculta nova, têm-se propagado com muito empenho o que poderá vir a ser típico no tempo e que já está sendo determinado por alguns como a pós-modernidade.
     O que fica como certo é que não se pode entrever certezas e indícios de rompimento que nos dê o sinal da apontada pós-modernidade, sendo a tecnologia incorporada como um dos seus cavaleiros mais singulares.
O Projeto da Modernidade, falecido para a maioria dos pensadores da tecnologia, começa a surgir no século XVlll dizendo respeito à coragem e a pertinência intelectual dos pensadores iluministas defendendo a idéia de progresso, com vistas à emancipação das irracionalidade s próprias da religião, comuns à superstição e da libertação do poder arbitrário, por meio do desenvolvimento de formas racionais de pensamento e de organização social. Não se percebem sinais de rompimento que levem a definição de um novo ingresso a pós-modernidade, sendo esta a chave perfeita para o escape e para a justificação de um novo estado de coisas com transformações meramente aparentes.
     A idéia de que os conhecimentos gerados nesta nova realidade irão tendencialmente anular ou subjugar todo o conhecimento acumulado, sendo este sempre matéria de substituição pelo conjunto de saberes nascidos na cibercultura está no centro da definição. A análise da técnica e da tecnologia, suas formas reais e suas implicações sociais, não podem prescindir à uma análise crítica e sopesada das condições econômicas, políticas, sociais e culturais em que estas estão se interpondo. Existem autores, mesmo entre os apologetas e saudadores da nova era cibernética contemporânea, que abominam esta condição presentista e fazem a mesma critica, indicando caminhos alternativos a tomar, procurando evitar os extremismos, que incidem quase sempre na desconsideração da historia, da política e do humano, culminado por arregimentar neste âmbito, fantasias de democracia e inclusão virtual.
    A própria  novidade da expressão “tempo real”, sendo detidamente analisada, pode um pouco indicar a que raias de estranheza estamos nos aproximando.
    Outro traço critico que deve ser percebido nesta área de conhecimenjto, é que suas várias assertivas se manifestam sem realizar a ultrapassagem de qualquer ligação que não seja com a potencial vida virtual, com a ‘ virtualidade do ser’.                         Talvez por isso sua fundamentação não venha resguardando qualquer aproximação seja com os aspectos concretos e técnicos do desenvolvimento tecnológico, fugindo-lhe as inferências sobre a concretização de suas perspectivas, seja com as determinações histórico-sociais, a realidade social concreta, ou ainda não se manifeste necessariamente quanto à qualquer dimensão econômica e social da humanidade presente, a singularidade e subjetividade humanas, ou outros. Em outros termos, esta fuga do concreto parece ser a própria impossibilidade de enfrentá-lo, de compreende-lo ou mesmo de superá-lo, definindo-se como saída sua prospecção virtual. Estas noções são cada vez mais incorporadas no imaginário cultural da atualidade, e parecem funcionar, sobretudo através de suas releituras como uma espécie de preparação às novas condições de vida e virtualidade em que se aposta. Aquele individuo futurista que, mesmo sabendo-se regional e pertencente à uma comunidade, troca referencias com o global, com o planetário, tornando-se assim um cidadão planetário.
      A idéia do excesso de informação pode ser interpretada de modos variados, porem, chama-se a atenção para os perversos efeitos da assimilação acrítica e alienada destas potencialidades tecnológicas, que culminam geralmente na exacerbação consumista e uso paripatético dos protocolos de comunicação que a cada dia modernizam-se mais. A infrequencia com que se verifica nestas analises alguma menção as condições concretas  de construção desta realidade, fermando-se no amplo e enlevado plano de aparências. Prova rápida e fugaz desta afirmação é verificação ligeira  de que cada sofisticação tecnológica equivale ao encarecimento e complexidade dos instrumentos, dificultando o acesso e criando obstáculos para esta se realizar plenamente e derruindo assim a chance da formação de uma democracia onde a participação fosse facultada a todos.
      A conjunção de fatores contraditórios tem se mostrado irrelevante e não se apresenta na maioria das análises, indicando um sofisticado nível de alienação, em nome da anunciada pós modernidade, como na propagada sociedade da informação não se configurasse também uma sociedade produtora de valor-trabalho, de mercadoria e de propriedade privada destes.
      Alguns pensam a tecnologia como sistema , como construção e como rede, pois em tempos diferentes, estas vertentes se manifestam a pensar a tecnologia como uma produção estanque de indivíduos ou da soma de indivíduos, grupos específicos que não reconhecem pertença a qualquer coletivo ou classe, a não ser quando se tornam consumidores da mercadoria tecnologia.A Tecnologia quando utilizada como chave para o conhecimento da sociedade vem dispondo de informações que não revelam potencialmente sobre a realidade concreta, sobre a vida dos homens e suas condições reais, reservando muito maior espaço para a percepção de comportamentos e de possibilidades franqueadas pelo avanço tecnológico.
      Marx indica que a tecnologia, ou os instrumentos de trabalho de cada sociedade e os seus resultados revelam, a partir da análise de como foram produzidos, os componentes essenciais para a compreensão da sociedade. Entre muitas contribuições de seu método, pode-se inferir que pensar a tecnologia, reconhecida como caixa preta na esfera das ciências sociais, em nossos dias significa  percebê-la como componente de uma realidade complexa, intrincada, que apresenta múltiplas facetas e que não se dá a conhecer ao primeiro contato, estando sempre impregnada de interpretações que precisam ser depuradas, havendo a necessidade de demora e cuidado, localização e construção de categorias de análise que possam facultar a abstração e a reflexão sobre as constituições deste real, deste concreto e deste imediato.
       A tecnologia e a revolução informacional que se segue não são entes que se desenvolvem a partir de tendências individuais e por isto mesmo não se deve isolar para compreender, estando umbilicalmente vinculada a um projeto de sociedade a um complexo de ações políticas, de terminações econômicas e de relações recíprocas e heterogêneas que implicam em uma determinada forma de produzir e reproduzir a vida.

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